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TARSILA DO AMARAL: A IMPORTÂNCIA PARA O FEMINISMO.

  • Foto do escritor: Masp Mais
    Masp Mais
  • 25 de mai. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 1 de jun. de 2020

Você, caro leitor, já parou para pensar em como a arte nos proporciona inúmeras reflexões? Mas já pensou também em como a desigualdade de gênero ainda é pouco discutida nesse meio? Mesmo vivendo o século XXI, o papel da mulher na história da arte é pouco debatido e por esse motivo nós decidimos te trazer ao mundo de Tarsila do Amaral.


Nascida no dia 1 de setembro de 1886, em uma cidadezinha do interior, chamada Capivari, Tarsila passou a sua infância na fazenda de seu pai, mas com o passar dos anos, foi para São Paulo estudar e depois para Barcelona, onde iniciou os seus dons de pintura, fazendo o seu primeiro quadro, “Sagrado Coração de Jesus”. Em 1904, Tarsila casou-se com André Teixeira Pinto, mas adianto que, apesar de ter sido o seu primeiro amor, o romance não durou para sempre.


À FRENTE DA SUA ÉPOCA


Mesmo vivendo em uma época com o conservadorismo ainda em alta, Tarsila era para frente. Destemida e determinada, a artista buscava aquilo que lhe fazia bem, ainda mais quando se tratava de expor os seus ideais.


No século 20, o divórcio era visto ainda como o tabu da época, mas Tarsila, percebendo que o então atual marido não a aceitava como uma artista, seguiu a contramão das diversas jovens que mantinham os seus casamentos contra suas respectivas vontades. O divórcio já vinha acontecendo, mas a tensão social ainda continuava. Para ela, era inaceitável assumir o papel de dona de casa e renunciar a sua carreira artística. A pintora era ousada e donas das próprias escolhas.


“BRASIL, MEU BRASIL BRASILEIRO”


Tarsila precisou voltar à Europa para perceber que era a história do seu país que desejava retratar. Era a paisagem brasileira que precisava ser vista. Assim como disse, “quero ser a pintora da minha terra”, e caro leitor, posso dizer que ela foi e É a pintora do Brasil!


Junto aos seus amigos e novo amor, Oswald de Andrade, Tarsila inicia um grande movimento artístico-cultural, a Semana de Arte Moderna ou Semana de 22. Suas obras causaram enorme impacto na sociedade com os seus traços inovadores, representando diversos aspectos da realidade brasileira. Abaporu (o homem que come gente), uma das obras da artista que faz alusão ao homem antropófago, referindo-se às tribos indígenas do período colonial, onde faziam rituais do canibalismo como forma de adquirir as forças daquele que foi ingerido. Ou seja, um símbolo de absorção da cultura europeia, a transformando em algo nacional.



DE MULHER PARA MULHER


No ano de 2019, o Masp inovou em trazer obras de artistas femininas ao público, dentre elas, a exposição Tarsila Popular, que integrou o tema do ano, Histórias de mulheres, histórias feministas. O museu inovou em trazer obras de artistas femininas ao público, obras que inspiram e representam outras mulheres.


A Negra teve inspiração nas mulheres negras escravizadas que Tarsila conheceu em sua infância, na qual reflete as opressões sofridas por elas no período da escravidão. O sexismo presente, vindo dos costumes coloniais europeus, causou grande impacto no destino dessas mulheres, pois eram exploradas como trabalhadoras dos campos e tarefas domésticas, e como objetos sexuais.



Essa exposição, de longe, foi uma das mais valiosas para os nossos conceitos e ideais. Estamos acostumados a ver obras em que somente o nú feminino é considerado arte e é por esse motivo que Tarsila é uma inspiração. Ter as suas obras como atração nos leva a perceber que a cultura patriarcal e machista deve ser desconstruída.


Por Lara Gabrielli

 
 
 

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